Menopausa e Climatério: Entendendo as Mudanças do Corpo Feminino
A menopausa é um tema que, por muito tempo, foi tratado em sussurros, quase como um segredo. Mas a verdade é que ela faz parte da vida de toda mulher e entender o que acontece no corpo nessa fase é fundamental para vivê-la com mais tranquilidade e qualidade de vida. Não é o fim, mas sim uma nova etapa, com suas particularidades e, sim, seus desafios, mas também com a oportunidade de se cuidar e se reinventar.
Antes de falarmos da menopausa em si, é importante desvendar um termo que anda de mãos dadas com ela: o climatério. Muitas pessoas usam os dois termos como sinônimos, mas eles não são a mesma coisa. O climatério é um período mais longo, que começa alguns anos antes da última menstruação e se estende por um tempo depois dela. Pense no climatério como uma transição da vida reprodutiva para a vida não reprodutiva, um caminho que o corpo percorre até chegar à menopausa. É uma fase de grandes transformações hormonais, que podem se manifestar de diversas formas.
O médico que cuida dessa fase da vida da mulher é o GINECOLOGISTA

O DR Carlos Jordão é especialista em Menopausa e Reposição Hormonal com mais de 37 anos de experiência com sólida formação acadêmica e prática de um atendimento verdadeiramente humanizado, buscando ouvir, acolher e entender cada paciente em sua individualidade
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O Que é o Climatério?
O climatério é o período da vida da mulher em que seus ovários começam a diminuir a produção de hormônios sexuais, principalmente o estrogênio, progesterona e testosterona. Essa diminuição não acontece de repente; ela é gradual e irregular,as vezes inicia até dez anos antes da menopausa. Por isso, os sintomas que as mulheres sentem nessa fase podem ir e vir, ser mais intensos em alguns dias e mais leves em outros.
Essa fase costuma começar por volta dos 40 anos, mas pode variar bastante de mulher para mulher. Algumas podem começar a sentir os primeiros sinais no final dos 30, outras um pouco depois dos 40. Não existe uma regra rígida, e a genética, o estilo de vida e até mesmo fatores ambientais podem influenciar.
Durante o climatério, as menstruações podem começar a mudar. Elas podem ficar irregulares, mais longas, mais curtas, mais intensas ou mais fracas. Isso acontece porque a ovulação, que é a liberação do óvulo pelos ovários, fica mais imprevisível. O corpo está se preparando para a fase em que a ovulação não acontecerá mais.
Pense no climatério como um marco etário que vai dos 40 aos 65 anos onde em algum momento ocorrerá a ultima menstruação que chamamos de Menopausa

Transtorno de humor no Climatério
E a Menopausa, Afinal?
A menopausa é um marco específico dentro do climatério. Ela é definida como a última menstruação da vida da mulher. Para ter certeza de que a menopausa realmente chegou, a mulher precisa ficar 12 meses consecutivos sem menstruar, sem nenhuma outra causa que justifique essa ausência (como gravidez ou uso de certos medicamentos).
A idade média da menopausa no Brasil gira em torno dos 47 a 51 anos, mas, assim como o climatério, pode haver variações. É importante lembrar que a menopausa é um evento natural, parte do processo de envelhecimento feminino, e não uma doença.

Sintoma de insônia e ondas de calor na Menopausa
Os Sintomas do Climatério e Menopausa
Os sintomas que acompanham o climatério e a menopausa são causados, em grande parte, pela queda dos níveis de estrogênio. Esse hormônio desempenha um papel muito importante no corpo feminino, afetando não apenas o sistema reprodutivo, mas também o cérebro, os ossos, a pele, o coração e até mesmo o humor.
Vamos entender alguns dos sintomas mais comuns:
- Ondas de Calor (Fogachos): Esse é, sem dúvida, um dos sintomas mais famosos e incômodos. As ondas de calor são sensações súbitas de calor intenso que se espalham pelo rosto, pescoço e tórax, muitas vezes acompanhadas de suores e vermelhidão na pele. Podem durar alguns segundos ou vários minutos e acontecer várias vezes ao dia, inclusive durante a noite, atrapalhando o sono. Elas ocorrem porque a diminuição do estrogênio afeta o centro de controle da temperatura corporal no cérebro.
- Suores Noturnos: São ondas de calor que acontecem durante o sono, levando a suores intensos que podem encharcar a roupa de cama e atrapalhar muito a qualidade do descanso. A falta de sono de qualidade pode, por sua vez, agravar outros sintomas, como a irritabilidade e a fadiga.
- Alterações de Humor: É muito comum que as mulheres nessa fase se sintam mais irritadas, ansiosas, tristes ou com mais dificuldade de concentração. A queda hormonal afeta os neurotransmissores no cérebro, que são substâncias químicas que regulam o humor e o bem-estar. Não é “frescura“, é uma questão bioquímica.
- Ressecamento Vaginal: A diminuição do estrogênio afina as paredes da vagina e reduz a lubrificação natural. Isso pode causar desconforto, coceira, dor durante as relações sexuais e aumentar o risco de infecções urinárias.
- Diminuição da Libido: A queda hormonal pode levar a uma diminuição do desejo sexual. Além disso, o ressecamento vaginal e o desconforto durante o sexo podem contribuir para a perda de interesse.
- Distúrbios do Sono: Além dos suores noturnos, muitas mulheres relatam dificuldade para pegar no sono, acordar várias vezes durante a noite ou ter um sono menos reparador.
- Ganho de Peso e Alteração da Distribuição de Gordura: Algumas mulheres podem notar um aumento de peso, especialmente na região abdominal. A alteração hormonal pode influenciar o metabolismo e a forma como o corpo armazena gordura.
- Alterações na Pele e Cabelo: A diminuição do estrogênio pode levar a uma pele mais seca, menos elástica e com mais rugas. O cabelo também pode ficar mais fino e quebradiço.
- Perda de Massa Óssea (Osteopenia/Osteoporose): Esse é um dos impactos mais sérios da queda do estrogênio a longo prazo. O estrogênio ajuda a manter os ossos fortes. Sem ele, a perda de massa óssea acelera, aumentando o risco de osteopenia (perda óssea inicial) e osteoporose (perda óssea mais avançada), o que torna os ossos mais frágeis e suscetíveis a fraturas.
- Aumento do Risco Cardiovascular: O estrogênio também tem um papel protetor para o coração e os vasos sanguíneos. Com a queda hormonal, o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e derrame, pode aumentar. Por isso, cuidar da saúde do coração se torna ainda mais importante.
É importante ressaltar que nem toda mulher terá todos esses sintomas, e a intensidade deles pode variar muito. Algumas passam por essa fase com poucos desconfortos, enquanto outras sofrem bastante. Por isso, é fundamental buscar orientação médica.

Sintoma de fogacho na menopausa
Reposição Hormonal: Uma Opção de Tratamento
Diante de tantos sintomas que podem impactar a qualidade de vida, surge a questão: o que fazer? Existem diversas abordagens para lidar com o climatério e a menopausa, e uma das mais discutidas é a Terapia de Reposição Hormonal (TRH).
O Que é a Terapia de Reposição Hormonal?
A Terapia de Reposição Hormonal (TRH) é um tratamento médico que consiste em repor os hormônios que estão em faltando corpo da mulher, principalmente o estrogênio a progesterona, em alguns a testosterona. O objetivo é aliviar os sintomas do climatério e da menopausa e prevenir algumas das consequências a longo prazo da deficiência hormonal.
Existem diferentes tipos de TRH:
- Terapia de Estrogênio Pura: Utiliza apenas estrogênio e é indicada para mulheres que já não têm útero (porque fizeram histerectomia). Isso porque o estrogênio sozinho pode aumentar o risco de câncer de endométrio (camada interna do útero), e a progesterona é usada para proteger o útero desse risco.
- Terapia Combinada: Utiliza estrogênio e progesterona (ou progestagênio, que é uma versão sintética da progesterona). É a opção para mulheres que têm útero. A progesterona é adicionada para proteger o útero contra o risco de proliferação do endométrio
- Terapia com Testosterona: Muito utilizada quando a mulher apresenta sintomas como diminuição da libido e perda da massa muscular que não melhoram com a reposição de estrogênio e progesterona, o médico pode considerar a reposição de testosterona em doses baixas.
Formas de Administração
A TRH pode ser administrada de diversas formas:
- Comprimidos: São as formas mais comuns.
- Adesivos (Patch): Colocados na pele, liberam os hormônios de forma contínua e são uma boa opção para mulheres com problemas gastrointestinais ou risco de trombose.
- Gel: Aplicado na pele, também libera os hormônios por absorção.
- Implantes Hormonais: Pequenos bastões inseridos sob a pele que liberam hormônios por um período mais longo (meses),são práticos e evitam o risco de contaminação cruzada que pode ocorrer pelo uso do gel
- Cremes ou Anéis Vaginais: Contêm estrogênio e são usados especificamente para tratar o ressecamento vaginal e os sintomas urinários, com pouca absorção sistêmica (no corpo todo).
Qual o médico que realiza Reposição Hormonal?
Algumas especialidades são capacitadas para isso, principalmente ginecologia e endocrinologia. Ter conhecimento sobre Implantes Hormonais é um diferencial.
O DR Carlos Jordão é um médico ginecologista, com grande experiência no atendimento de mulheres no Climatério e Menopausa, assim como sólida formação e prática no uso de Implantes Hormonais Absorvíveis

Para Quem a TRH é Indicada?
A TRH é geralmente indicada para mulheres que apresentam sintomas moderados a severos do climatério e da menopausa que estão impactando significativamente sua qualidade de vida, porém toda mulher terá benefícios na reposição hormonal, como veremos abaixo, desde que não tenha contra indicação para uso e principalmente entenda os benefícios e queira utilizar. Os sintomas mais comuns que levam à indicação da TRH são as ondas de calor intensas, os suores noturnos e o ressecamento vaginal.
Além disso, a TRH pode ser considerada para prevenção da osteoporose em mulheres com alto risco de fraturas, que não podem ou não querem usar outras medicações específicas para os ossos.
A decisão de iniciar a TRH deve ser individualizada e feita em conjunto com um médico ginecologista. O médico vai avaliar o histórico de saúde da mulher, seus sintomas, seus riscos e benefícios e em decisão compartilhada com a paciente ver a melhor alternativa para reposição hormonal.
Benefícios da Reposição Hormonal
Os principais benefícios da TRH incluem:
- Alívio dos Sintomas Vasomotores: A TRH é altamente eficaz para reduzir as ondas de calor e os suores noturnos, muitas vezes eliminando-os por completo.
- Melhora do Ressecamento Vaginal e da Saúde Urogenital: Ajuda a restaurar a umidade e a elasticidade da vagina, aliviando o desconforto e a dor durante o sexo, e pode diminuir a frequência de infecções urinárias.
- Prevenção da Osteoporose: A TRH ajuda a retardar a perda óssea e a reduzir o risco de fraturas em mulheres na pós-menopausa.
- Melhora da Qualidade do Sono: Ao aliviar os suores noturnos e as ondas de calor, a TRH pode melhorar significativamente a qualidade do sono.
- Melhora do Humor e Bem-Estar: Algumas mulheres relatam melhora na ansiedade, irritabilidade e depressão, embora a TRH não seja um tratamento primário para esses quadros.
- Potencial Benefício Cardiovascular: Quando iniciada precocemente (em mulheres com menos de 60 anos ou até 10 anos após a menopausa), a TRH pode ter um efeito protetor sobre o coração e os vasos sanguíneos. No entanto, esse benefício não é o principal motivo para iniciar a terapia.

Com a melhora dos fogachos, da secura vaginal, da qualidade do sono e da líbido ,a Reposição Hormonal promove uma grande melhora da qualidade de vida.
Riscos e Contraindicações da Reposição Hormonal
Apesar dos benefícios, a TRH não é isenta de riscos, e é crucial que o médico avalie cada caso individualmente. Os principais riscos e contraindicações incluem:
- Câncer de Mama: Esse é um dos maiores pontos de preocupação. Estudos mostraram que a TRH combinada (estrogênio + progesterona) pode aumentar ligeiramente o risco relativo de câncer de mama após anos de uso. A terapia com estrogênio puro não parece aumentar esse risco da mesma forma. No entanto, o risco absoluto é pequeno para a maioria das mulheres.
- Doença Cardiovascular (para algumas mulheres): Para mulheres que iniciam a TRH muitos anos após a menopausa ou que já têm fatores de risco cardiovascular, a terapia pode aumentar o risco de eventos como infarto e derrame. Por isso, a “janela de oportunidade” (iniciar a TRH mais cedo na menopausa) é importante.
- Trombose Venosa Profunda e Embolia Pulmonar: A TRH, especialmente na forma de comprimidos, pode aumentar o risco de coágulos sanguíneos nas pernas (trombose) que podem se deslocar para os pulmões (embolia pulmonar). As formas transdérmicas (adesivos, gel) parecem ter um risco menor.
- Doença da Vesícula Biliar: Pode haver um pequeno aumento no risco de cálculos biliares.
Contraindicações: A TRH é contraindicada em mulheres que têm:
- Histórico ou suspeita de câncer de mama.
- Histórico de câncer de endométrio.
- Sangramento vaginal sem causa definida.
- Histórico de coágulos sanguíneos (trombose, embolia).
- Doença hepática grave.
- Doença coronariana ou derrame recentes.
Tomando a Decisão: Converse com Seu Médico
A decisão de iniciar ou não a TRH é complexa e deve ser tomada após uma conversa franca e detalhada com o ginecologista. O médico irá considerar:
- Seus sintomas: Qual a intensidade e o impacto deles na sua vida?
- Seu histórico de saúde pessoal e familiar: Existem doenças na família, como câncer de mama, doenças cardíacas ou trombose?
- Seus fatores de risco: Você fuma? Tem pressão alta, diabetes, colesterol elevado?
- Suas preferências: Você se sente confortável com os riscos e benefícios?
- A “janela de oportunidade”: Há quanto tempo você está na menopausa? Mulheres que iniciam a TRH mais cedo na menopausa (geralmente antes dos 60 anos ou até 10 anos após a última menstruação) tendem a ter mais benefícios e menos riscos.
A TRH não é para todas as mulheres, e não é uma solução mágica. Mas para muitas, ela pode ser um divisor de águas, proporcionando alívio dos sintomas e uma melhora significativa na qualidade de vida.
Alternativas à Reposição Hormonal
Para as mulheres que não podem ou não querem fazer a TRH, existem outras opções para aliviar os sintomas do climatério e da menopausa:
- Mudanças no Estilo de Vida:
- Dieta saudável: Rica em frutas, vegetais, grãos integrais, com pouca gordura saturada e açúcares.
- Exercícios físicos regulares: Ajudam a controlar o peso, melhorar o humor, fortalecer os ossos e a saúde cardiovascular.
- Parar de fumar: O fumo piora as ondas de calor e aumenta o risco de doenças.
- Reduzir o consumo de álcool e cafeína: Podem piorar as ondas de calor.
- Vestir roupas leves e em camadas: Ajuda a lidar com as ondas de calor.
- Manter o ambiente fresco: Especialmente o quarto para dormir.
- Técnicas de relaxamento: Yoga, meditação, respiração profunda podem ajudar a controlar o estresse e a ansiedade.
- Medicamentos Não Hormonais: Existem alguns medicamentos, como certos antidepressivos e anti-hipertensivos, que podem ser prescritos para aliviar as ondas de calor em mulheres que não podem usar a TRH.
- Terapias Complementares: Alguns estudos sugerem que a acupuntura, a fitoterapia (plantas medicinais) e suplementos (como isoflavonas de soja, amora, etc.) podem ajudar, mas a evidência científica para muitos deles ainda é limitada e é fundamental conversar com o médico antes de usar qualquer um desses.
- Lubrificantes e Hidratantes Vaginais: Para o ressecamento vaginal, produtos não hormonais de uso local podem trazer bastante alívio.
Conclusão: Uma Nova Fase, Cuidando de Si
A menopausa e o climatério são fases naturais da vida da mulher, que trazem consigo transformações significativas. É um período que exige atenção e cuidado, mas que pode ser vivido de forma plena e saudável.
É fundamental quebrar o tabu em torno desse tema, buscando informação de qualidade e, principalmente, conversando abertamente com o médico ginecologista. Ele é o profissional mais indicado para esclarecer dúvidas, avaliar os sintomas, discutir as opções de tratamento – incluindo a Terapia de Reposição Hormonal – e ajudar a mulher a tomar a melhor decisão para sua saúde e bem-estar.
Lembre-se: menopausa não é o fim da vida, é o começo de uma nova etapa. Cuidar de si mesma nesse período, com um estilo de vida saudável e o acompanhamento médico adequado, é o melhor caminho para viver essa fase com mais conforto, saúde e qualidade de vida. É um momento para se redescobrir, fortalecer laços e aprveitar tudo o que a vida tem a oferecer.

Mulher plena após Reposição Hormonal na Menopausa
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